sábado, 1 de junho de 2013

lagos

Me derretia e escorria pelos vãos dos seus dedos, me deixava cair e lavar seus braços, abraçava e deitava em você aos poucos deixando que você sentisse o peso do meu corpo transformado em água, transformado em sensação. e você apenas sorria e dizia que era impossível me segurar, mas era ainda mais impossível tentar se secar de mim. Eu envolvia completamente.
Num instante me via menina, moleque e anjo. Podia ver nos seus olhos a curiosidade, empolgação e admiração que sentia por mim. Mais que isso, via meus olhos refletidos nos teus e talvez fosse lá que eu enxergava tudo isso... era a minha admiração, minha empolgação e minha curiosidade por você.
peço que fique entre nós o que eu digo por não ter o hábito de falar disso em publico. Mas somos apenas eu e você aqui, agora. Quero mais que respeito, quero compreendimento. Deve ter algo com o amor, era mais fácil sentir o fogo gelando do que dizer que era amor essa coisa que me coçava o coração.
Minha canção será tua, cheia de discordâncias verbais e erros ortográficos, pois não me importo com meu português fajuto e distraído quando o que quero falar são coisas do coração.Sem ritmo, melodia ou tom, vou cantar em alto e bom som. Não existe coração com isolamento acústico, eu amo e seu coração já está sabendo disso. Dê ouvidos.
Eu me derreto e posso escorrer pelos vãos dos seus dedos.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

sem título

Sou uma eterna fã de frases de efeito.
Não digo que sou uma colecionadora delas, mas eu realmente gosto de criar novas e torná-las impactantes ao ponto de ter aqueles 3 segundos que parecem uma eternidade na mente de quem ouviu...
Também sou amante dos segundos de silencio constrangedor causados propositalmente..
Uma frase de efeito seguida do silencio, nossa... Quase posso ver agora o olhar perdido e confuso, cheio de traumas e pensamentos inconsistentes da pessoa parada na minha frente. Não, não pensei em ninguem especifico... não preciso, todas as pessoas devem passar por isso dessa mesma forma.. ou de forma muito parecida.
As vezes tambem existe aquele momento que digo algo tão incrivelmente interessante que nem sequer pareço eu mesma falando... mas sim, foi de caso pensado.. era pra agradar ou surpreender... era pra ter a sensação de deixar alguem com a boca semi aberta e piscando lentamente com aquela carinha de "mas quando foi que você descobriu tudo isso?!".
Sou uma grande fã de estrelas, quero ganhar uma, a minha. Sou uma adoradora de estrelas e nem sequer sei os nomes ou reconheço as constelações. Eu apenas admiro, observo e amo. As estrelas me conquistam sem precisar me olhar os olhos, sem precisar me tocar, sem precisar falar comigo. Elas fazem tudo isso estando apenas paradas lá no alto pra que eu possa assisti-las fazendo parte do universo todo.
Momentos. É isso.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Minha Vida Quando Falo Tudo Que Quero

     Durante essa manhã caiu um pedaço grande de tristeza sobre meu braço. Eu estava apoiada na mesa quando aconteceu, foi uma reação na verdade. Antes disso tinha dito algo que me fez um grande mal. São palavras que param na garganta e sufocam. Descobri que tenho Câncer Moral.
Câncer Moral: um tumor que toma conta de tudo que você considera certo ou errado, causa um transtorno na mente, uma vontade de se machucar internamente. Ele cresce com o estímulo das palavras não ditas, dos pensamentos maldosos, das vontades ilícitas e dos rancores armazenados ao lado do coração, fígado, pulmões e rins. Pode-se dizer que um Câncer Moral ataca a minoria das pessoas, pois são poucas as que se deixam atingir. Logo, percebo que sou fraca, e meu tumor se espalha por todo o corpo, moralmente falando.

     Um modo de estimular o desenvolvimento dessa doença: Você. Não, não todos vocês..
Só você que está sempre me enchendo os ouvidos com seus problemas de porão - aqueles que ficam enterrados com um monte de coisas inúteis - me dizendo todas as vezes que queria sumir, desaparecer, como se eu pudesse mudar alguma coisa por você.
Não tenho soluções engarrafadas. Não sei nem mesmo ME solucionar... mas posso pensar numa forma de alivio, vamos fazer assim: eu pisco, você desmaia, ficamos felizes. Eu durmo, você morre. Eu fico feliz. Alias, você estaria muito satisfeito também, não é? Morrer um pouquinho e viver em paz... Digo... Você entendeu.
Eu já andei e corri - fugi - você me mandava parar, ir devagar. Eu não quero e posso explicar o motivo: Cansei de esperar suas pernas curtas, as minhas são o dobro do tamanho, talvez a gente chegue no mesmo lugar, mas eu posso chegar antes... Do meu jeito e com os meus problemas.
Certo, comecei a me gabar um pouco, é efeito colateral do CM, mas confesse que minhas pernas são grandes mesmo!
Pare de atirar pedaços de insatisfação em mim! É um dos motivos da minha não-cicatrização.

     Minha radio/quimioterapia moral: Falar. Sim, parece fácil e simples.... Na verdade talvez seja, mas no fundo eu só falo em torno de 10% de tudo que eu penso. Esse é um dos principais causadores do CM, e também um efeito colateral dele. Perco a vontade de falar sobre as coisas que me deixam desconfortável ou até mesmo das coisas que me agradam. Efeitos colaterais enchem o peito de dor.

      É como eu digo - ou deveria dizer - "Meu desabafo me cura, minhas palavras aliviam. Mas as pessoas não estão preparadas para me ouvir... Eu poderia causar nelas um enorme Câncer Moral."

     Tenho muitos detalhes que posso contar sobre essa 'doença' e sobre tudo que penso e não digo, mas sobre "Minha Vida Quando Falo Tudo Que Quero", digo que se o fizesse de fato, este texto não existiria.

Final Alternativo - (Des)Encontros

   Então a Distância ficou triste, abaixou a cabeça e começou a chorar... apertava os olhos forte pra tentar tirar a cena da cabeça. Sentiu seu peito apertar e afogar seu coração...quando percebeu, a Saudade estava de volta, ressurgiu em sua frente.
   A Distância nunca mais saiu de seu lugar.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

(Des)Encontros

A Distância foi contratada pela Inteligência. Seu trabalho era formar uma barreira de segurança entre o Amor e a Saudade, tudo que ela precisava era garantir que os dois nunca se encontrassem.
Todos os dias o Amor tentava formas diferentes de enganar a Distância e se aproximar da Saudade. Mas a Distância estava sempre muito esperta e não queria perder seu emprego.
A Saudade ficava pensando no Amor o dia todo, então ela decidiu conversar com a Distância e fazer um pacto. Se ela pudesse ver o Amor por apenas alguns segundos, não iria mais atormentar, voltaria para casa e deixaria a Distância em paz.
A Distância já tinha ficado com pena o suficiente e decidiu aceitar o pacto. Então o combinado era de que no dia seguinte, o Amor e a Saudade teriam 5 segundos para se encontrar. A Saudade se arrumou e o Amor ficou animado.
Quando chegou o horário marcado, a Distância deu as costas e se afastou por aqueles 5 segundos.
Foi o tempo suficiente para os dois se olharem e o Amor matar a Saudade.
Quando a Distância voltou e viu o erro que tinha cometido, relatou à Inteligencia o que aconteceu.
A Inteligência sorriu e respondeu: É óbvio, a Saudade só existe na presença Distância.


Agradecimentos:

Giovana Rodrigues - Doação de dedos para a digitação e escolha do título.   @giovana_ros
Humberto Gomes - Minha inspiração para personificar sentimentos.   http://agostodotempo.blogspot.com.br/2013/05/a-igualdade-e-diferenca.html?spref=fb

segunda-feira, 15 de abril de 2013

7 DESABAFOS - 22 anos e 4 meses

Decidi, pela milésima vez, que vou mudar. Ja decidi isso em outros momentos e não mudei de fato, mas dizer que decidi mudar... bem, parece que causa alguma mudança.
As mudanças acontecem muito mais para mim que para os outros, os que veem de fora.
-----devaneios enquanto escrevia, paro um pouco, faço outras coisas, volto rindo-----
as vezes alguém diz algo e termina a frase se despedindo com um elogio bobo no vocativo.. a resposta que damos pode ser um elogio bobo no vocativo de volta... ooooou... um corte brutal. "flw, cara!".
-----devia ter continuado com meu texto e ficado quieta-----
Uma mudança interna começa quando vemos nossos resultados de fora.. como num daqueles sonhos onde você se sente flutuar e se dá conta que está se olhando dormir la de cima. Tanta espera e tão pouca ação. Tantas vontades e tão pouca realização. Tantos sonhos vistos la de cima por nós mesmos.
-----deixei minha inspiração inicial se confundir com as musicas que ouvi e acabo de me ver perdida novamente-----
Me lembro bem que queria mudar.. alias, lembro que estou mudada. deve ter algo a ver com aquela leitura linda, com essa relação instável e confusa, com essa dor nos ombros, até mesmo com essa náusea/ânsia que vem com a muralha de sentimentos. Me peguei pensando em pessoas que se cortam para aliviar dores e chateações, me peguei fazendo um micro-corte leve no pulso e pensei na mesma hora "cara, não dói, tá mais praquela agonia de cortar a mão com papel.. arde, coça.. não dói." Me da ânsia lembrar.
-----eu não me corto-----
Sempre que definimos uma mudança na vida, a vontade que dá é fazer uma mudança física radical, pra expor nossa diferença interior. Talvez eu queira mudar algo agora, mas não sei o que fazer. Minha mudança de roupa foi boa hoje, assim como a de maquiagem..assim como a de corte de cabelo. - não, essa eu não fiz, ainda não posso... talvez se eu ainda quiser depois de junho... quem sabe.
-----depois de sentir uma pontada forte no peito e uma dor profunda no pescoço-----
Quando testei o corte no pulso, aquele pequeno e leve que não vai deixar nem cicatriz, enfim, não saiu sangue.. saiu, mas não escorreu como eu imaginei, nem formou uma gota... decidi que não faz sentido. eu não me cortaria. Não tem graça ver ficar vermelho e não escorrer como nos filmes... cortarei quando quiser tirar um litro de sangue, mas daí não contarei pra ninguém  acredito q estarei muito idiota pra fazer isso comigo mesma - não quis julgar quem se corta apesar de parecer que estou julgando...só digo que não faz o menor sentido na MINHA vida...talvez na sua faça - então vi que já devia ter me livrado dessas lâminas bestas que estão a tanto tempo no meu quarto por outros motivos...
-----eu não joguei fora, talvez nem jogue-----
as decisões internas acontecem tão claramente pra mim, mas fica tão difícil externalizar isso.
Quero dizer uma coisa... Não sou a mesma dos últimos anos, aliás, quando eu tinha meus quinze anos, eu não era nem parecida com o que eu virei hoje. Não vamos julgar...todos estão passando por isso, mas eu estou na crise dos 22 anos e 4 meses.
-----USEI MUITO A PALAVRA NÃO NESSE TEXTO...LEVE ELE EM CONSIDERAÇÃO, OU NÃO-----

sábado, 6 de abril de 2013

a vaca da vida

se dava muito facilmente a todos que piscavam ou respiravam perto dela.
mal falada, sem moral e sem honra, as pessoas não a chamavam de prostituta apenas por ela não cobrar nada alem do próprio prazer.
já namorou com o rapaz dos pescados, com os homens do trem, pedreiros e enfermeiros dos postos, cada homem do asilo ou do bar da esquina.
coitada e insaciada, na verdade era simpática, mas mulher alguma queria fazer amizade. toda sua delicadeza não compensava sua aparência denegrida.
em cada canto e em cada beco se encostando em cada velho ou jovem que passa por perto.
um nobre em seu carro grande desceu a rua com porte e dinheiro, viu a moça tão solta e rindo enquanto se lavava num tanque e numa poça, deu-lhe um cheiro no cangote e pegou-a no braço.
os homens não se conformaram, as mulheres saíram nas janelas em fofocas e blá blá blás, a moça fora puxada pra dentro de um carro muito mais caro do que qualquer residencia da cidade.
linda e simpática  sorria e acenava pelo teto solar do carro enquanto o homem segurava suas pernas pra que não caísse.
ria como nunca havia rido com homem algum. era como se nenhuma frase fizesse sentido, como se o vento levasse não só seus cabelos, mas todos os pensamentos também.
as mulheres viram a cena, admiraram a beleza que nunca haviam notado naquela vaca sem graça que esbarrava nos maridos das velhas...
satisfeita com cada toque, com cada respiro. mais satisfeita que com qualquer desses homens que haviam dado um minimo de carinho para conquistar seus melhores movimentos.
maldita que não prestava estava melhor que todos, a cidade aplaudia e dizia com toda a falsidade na cara "parabéns, case! seja feliz! estamos felizes por você!" .
as velhas perderam seus maridos, os velhos, os jovens, pedreiros, enfermeiros, todos os homens. eles se foram. as mulheres ficaram sozinhas chorando e implorando pra que a bela moça voltasse.
a moça não voltou, não voltaria nunca mais. nem os homens da cidade. nem a alegria das mulheres que até hoje se arrependem a cada segundo por não ter feito amizade com a moça. muita coisa podia ter sido diferente. tente imaginar.